PARTE 1
Naquele dia estava bastante nervoso. Tinha-me inscrito numa
empresa de figuração há poucas semanas e não fazia ideia que me iriam chamar
tão rapidamente. Na verdade, acabei por ser escolhido para participar na
telenovela "Belmonte". As gravações eram em estúdio. Cheguei aos estúdios às 8h e as gravações
iriam começar às 9h30. Comigo estavam mais três rapazes e uma rapariga - um
deles era bastante giro, usava uma t-shirt de manga bem curta, onde se podiam
ver bem os seus braços musculados. Parecia um pouco tímido. Usava óculos,mas
ficavam-lhe muito bem. A barba estava bem aparadinha e o cabelo era castanho
escuro, curto. Os outros dois, coitados, não eram tão interessantes.
Ficámos os cinco à espera, numa sala que tinha uma porta
para um corredor, o acesso a todos os estúdios e aos camarins. Às 9h30 vieram
chamar algumas pessoas. Por sorte, os primeiros a irem foram os dois rapazes
que não achei tão interessantes e a rapariga. Fiquei sozinho com o outro. Antes
disso, tínhamos estado todos à conversa mas ele mal tinha falado.
- Então e como te chamas? - perguntei eu.
- Francisco. E tu? - respondeu-me.
- Chamo-me João. É a primeira vez que estás cá?
- Sim, é.
A conversa não seguiu naturalmente. Olhei para ele, de
esguelha, várias vezes. Parecia incomodado ou parecia querer falar mas não
conseguia. Entretanto surgiu uma assistente.
- Olhem, peço que aguardem mais um pouco. Vocês irão entrar
daqui a mais ou menos uma hora e meia. Por agora vamos gravar algumas cenas no
café. Se quiserem podem dar uma volta pelas nossas instalações, daqui a pouco
voltarei aqui. Até já.
Eu e o Francisco decidimos fazer o que a rapariga nos tinha
sugerido. Fomos conhecer os estúdios. Ao príncipio achámos estranho terem-nos
deixado andar por ali sozinhos, mas rapidamente percebemos o porquê: todas as
salas estavam ocupadas por atores, maquilhadores, equipa técnica, etc. Não
estávamos, portanto, sozinhos. Entretanto, passou uma mulher por nós.
- Sim, isso mesmo. Não sei onde está o Lourenço. Exato, ele
hoje vai gravar a cena do encontro, assim que ele chegar diz - disse a senhora
ao telemóvel.
Eu e o Francisco olhámos um para o outro... Lourenço? Seria
o Ortigão? Desaparecido? Continuámos a andar. A determinada altura entrámos por
um corredor mais escuro e longo. Apesar de mal ilimunado, continuámos.
Percebemos então que não estávamos a ir para um local muito interessante.
- Isto são as traseiras do estúdio - disse o Francisco -
acho melhor voltarmos para trás. Aí para a frente são só salas com cabos,
câmaras, arrumações. Nada de especial...
- Yah, és capaz de ter razão.
Preparamo-nos para voltar atrás. O Francisco seguiu à
frente. Falou mais naquele momento do que no resto da manhã. O meu gaydar
ligou-se nesse instante: afinal, ele estava com receio de estar sozinho comigo.
Assim como tinha simpatizado com ele, também ele deve ter... mas o meu
pensamento foi interrompido por um som vindo da outra ponta do corredor. O
Francisco já ia lá à frente, sem olhar para trás. Mas do outro lado ouvi algo a
cair. Decidi ir ver o que era.
Percorri o corredor, com as várias portas fechadas. Mas
quase no final da mesma, havia uma entreaberta. Fiquei parado em frente a ela e
ouvi duas pessoas a falar.
- Foda-se, partiste essa merda... - disse um rapaz.
- Caga nisso, valeu a pena... ou não? - referiu outro.
Ouvi dois beijos. Suspiros de prazer. Fiquei imóvel durante
uns segundos. Tinha reconhecido as vozes e não sabia o que estava a acontecer.
Decidi aproximar-me mais da sala daquela pequena porta, bem no fundo do
corredor. Passei por umas caixas que tapavam o caminho e aproximei-me. Mas
também eu fui descuidado. Sem querer, dei um pontapé num projetor que estava no
chão. Ouviram-me e rapidamente desligaram as luzes. Calaram-se.
- Peço desculpa, não quis incomodar. Eu sou figurante e só
andava à procura de...
Antes de eu acabar a frase a luz da salinha acendeu-se. À
porta surgiu o Lourenço Ortigão. Ali estava ele. Como apenas estava a
espreitar, vi que ele estava em tronco nu, mas nada mais. Mas não consegui
deixar de olhar para os peitorais tão definidos.
- Quem és tu, pah?
Estavamos muito perto um do outro e naquele momento a minha
tesão foi involuntária. Tinha umas bermudas vestidas e o volume fez-se notar.
Ele olhou para lá.
- Desculpe, eu... - comecei por dizer - ... eu não queria...
- Queres entrar? - perguntou-me o Lourenço.
Aqueles cinco segundos que se seguiram pareceram para mim
horas. Finalmente tive coragem para abrir a boca e dizer sim. Ele abriu-me a
porta. Estava em boxers. Tinha o caralho mole, mas ainda assim o volume já
impressionava. Do outro lado, um rapaz completamente nu. Bem constituído,
peitorais e abdominais definidos. Pêlos nas pernas e alguns no peito, mas
aparados. Cabelo rapado. O pau estava semi-erecto.
- Este é o Alex, do som. Eu e ele costumamos vir para aqui
nos intervalos, sabes... - disse o Lourenço
- Não precisas de explicar - disse-lhe eu, ainda aparvalhado
- já percebi.
- E eu percebi que o teu interesse era diferente. Não pude
deixar de reparar nesse volume nos teus calções - disse-me ele apontando para o
meu pau. Olhei para baixo e fiquei ainda mais envergonhado. O volume já era
enorme. O Alex riu-se.
(CONTINUA...)




Quando aparece a continuação? Por mim era já hoje
ResponderEliminarNão me digam que só vamos ter continuação na próxima 3ª x_x
ResponderEliminarNão, por favor não